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Carta Mensal - Junho de 2024

Fiscal vs Monetário







“A inflação aleija, mas o câmbio mata.”

Mário Henrique Simonsen

 

Concluímos o primeiro semestre do ano com uma elevada tensão político-econômico no Brasil. Conforme escrevemos na carta de janeiro deste ano, acreditamos que o mercado transita entre temas e narrativas que dominam as atenções, sendo retroalimentadas pelo famoso viés de disponibilidade.


No texto de janeiro sinalizamos que as decisões monetárias ao redor do mundo seriam o principal tema de 2024 e tem sido dessa forma ao longo dos seis meses que passaram. Nos EUA, os últimos dados de emprego e inflação vão consolidando a tese de que teremos um corte de juros e início da flexibilização monetária ao término deste ano. A notícia traz alívio e impacta positivamente ativos de risco pelo mundo.


Por outro lado, as decisões monetárias no Brasil tiveram uma inflexão de direção. Depois de uma sequência de cortes o Banco Central resolveu frear a queda por temor da trajetória fiscal. Alertamos com antecedência que os dados fiscais e propensões orçamentárias do governo federal levavam para um cenário extremamente preocupante e apesar dos recordes de arrecadação o ritmo de gastos desproporcionais nos carregou para um patamar de risco. Com isso, o Banco Central travou a queda e despertou uma revolta no executivo.


As tensões entre Banco Central e o Presidente alcançaram seu ápice nos dias finais de junho e os resultados desse embate foram sentidos no câmbio. Alertamos na carta do mês anterior que as divergências entre Fazenda, com a política fiscal, e Banco Central, com a política monetária, deveriam encontrar um alinhamento para acomodarmos as expectativas e avançar positivamente na curva de juros e ativos de risco brasileiros, ou manter o conflito e presenciarmos a deterioração destes fatores.


Os ciclos positivos e negativos se retroalimentam, note que o problema fiscal impacta na inflação que interrompe a redução dos juros e cria um atrito. Deste atrito que estamos acompanhando, temos a depreciação acentuada do câmbio que eleva mais a inflação de curto prazo e reforça o ciclo negativamente. A manutenção dessa tendência é perigosa e nos leva a entender como uma oportunidade relevante.


Ademais, as consequências desse conflito entre o fiscal e o monetário tem sido percebido nas ações brasileiras que fecharam o semestre como uma das piores bolsas do mundo. Em paralelo, ações argentinas e turcas destacam-se positivamente, mesmo com seus países em duras crises.


Na nossa visão, e em uma análise retrospectiva, todas as situações de conflito escalam até níveis de tensão onde a próxima escalada torna-se tão perigosa que a melhor opção é reduzir o tom. A piora econômica não interessa a ninguém. Por isso, apesar da volatilidade e desconforto com o país, estamos em uma importante janela de alocação. 

Concluindo, estamos sempre à disposição para auxiliar e debater acerca das provocações e reflexões contidas nestas cartas. Contem conosco!


 

CENÁRIO ECONÔMICO E DE MERCADO

 

Para este mês de junho pontuamos o aprofundamento da deterioração fiscal brasileira que tem impactado na desancoragem das expectativas de inflação; e posterior desvalorizações em títulos de renda fixa, ações e agora no câmbio.

 

 

BRASIL

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), indicador que é a prévia da inflação oficial do Brasil, fechou em junho em 0,39%, queda de 0,05% em relação a maio, quando o índice registrou alta de 0,44%.  Segundo o IBGE, o resultado é explicado pela alta dos preços de alimentos e bebidas, que avançaram 0,98%, com impacto de 0,21 ponto percentual no índice. Alta no grupo de habitação e produtos de saúde e cuidados pessoais também influenciaram para a alta de 0,39%.

 

O resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 69,6 bilhões em abril. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou R$ 1.042,8 bilhões (9,41% do PIB), ante déficit nominal de R$ 998,6 bilhões (9,06% do PIB) em março de 2024.

 

Na passagem de abril para maio, a produção industrial do país recuou 0,9%. Foi o segundo mês consecutivo de queda, período em que acumulou perda de 1,7%. Com isso, o setor eliminou o ganho de 1,1% que havia acumulado entre fevereiro e março deste ano.


MUNDO

 

A inflação do consumidor nos Estados Unidos ficou estável em 0,0% após subir 0,3% em abril, abaixo do esperado. Com isso, a taxa anual reduziu para 3,3% e demonstra sinais de convergência.

 

O índice de preços ao produtor (PPI) para a demanda final caiu 0,2% no mês de maio, após avançar 0,5% em abril. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,1%.

 

Os Estados Unidos criaram 206 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês de junho, mais que o esperado pelos analistas, segundo dados do payroll. A estimativa era de 190 mil vagas.

 

A taxa de desemprego ficou em 4,1%, acima dos 4,0% do mês anterior. A taxa esperada pelos analistas era estável em 4,0%.

 

A variação no emprego de abril foi revista em baixa em 57.000, dos +165.000 informados antes para +108.000, e a variação para maio também foi revista para baixo em 54.000, de +272.000 para +218.000. Com isso, a leitura geral do relatório foi positiva e vieram seguidas de valorizações nas bolsas de ações globais.

 

Os dados de inflação e emprego no mercado americano começam gradativamente a consolidar a hipótese de cortes na taxa de juros.

 

As eleições para o parlamento europeu resultaram em uma acentuada guinada do continente para a direita, com amplo crescimento dos partidos que saíram vitoriosos no mês passado.

 

Por outro lado, indo na contramão as eleições no Reino Unido confirmaram as expectativas pela vitória do Partido dos Trabalhadores que retornam ao poder depois de 14 anos de gestão dos conservadores.

 

Nos Estados Unidos, o início da corrida eleitoral marcou o avanço da vantagem de Donald Trump frente a Joe Biden após a péssima performance do candidato democrata no primeiro debate presidencial. Ganha força a hipótese de desistência do atual presidente e substituição do candidato.


 

Agradecemos a leitura, o tempo e a confiança.

 

Pedro De Cesaro              Rodrigo Villa Real       

Founding Partner               Chief Investment Officer          

 

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