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Carta Mensal - Outubro de 2023



O mercado é ganancioso?







“Se as autoridades fiscais e monetárias não regularem a economia, os investidores em títulos o farão.”


Edward Yardeni


No final de outubro, durante um encontro com jornalistas, Lula voltou a direcionar ao mercado a culpa de suas más decisões repetindo críticas. Alegou que o mercado financeiro é ganancioso ao cobrar responsabilidade fiscal e que dificilmente cumprirá a meta de déficit zerado.

A consequência foi vista imediatamente com uma repercussão negativa nos ativos brasileiros e desdobramentos políticos. Cabe pontuar que as expectativas apontavam justamente nessa direção, sendo assim, não foi surpresa o fato em si; e sim o tom.

O discurso ofensivo contra o mercado é frequente em políticos que não aceitam opiniões contrárias as suas e que costumam estarem cercados de conselheiros que não divergem deles - o que é um péssimo indicativo. Se os conselheiros, aliados e ministros não expõem a realidade e argumentos contrários, o mercado faz e por isso, incomoda tanto essas pessoas.

Na década de 80 o economista Edward Yardeni cunhou o termo “Bond vigilante” para definir investidores que atentos a qualquer ação prejudicial do emissor se desfaria dos títulos. Yardeni certa vez declarou que “se as autoridades fiscais e monetárias não regularem a economia, os investidores em títulos o farão”.

O termo ganhou notoriedade na década posterior quando um assessor da presidência americana lamentou a limitação que possuía dada a pressão recebida de investidores detentores da dívida pública. Os freios da gestão pública são benéficos para a sociedade, embora políticos discordem.

O Presidente e as empresas com títulos de dívida emitidos são livres para definir como pretendem gerir as contas públicas e suas finanças, mas devem aceitar que os indivíduos também são livres para reagir frente tais escolhas. Se o governo não pretende ser responsável fiscalmente é esperado que os investidores aloquem seu capital com isso em mente.

Afinal, o mercado não é um ente imaginário e conspiracionista; e sim o acúmulo de milhares de indivíduos tomando as suas próprias decisões em prol da preservação das suas economias. Se as pessoas não confiam no governo ou desaprovam as contas, cabe ao governo repensar e analisar suas decisões ao invés de atacar um inimigo imaginário.

Por fim, recordamos que estamos sempre à disposição e que a lição central deste mês serve para os políticos e para nossas decisões de investimento. O processo de análise de uma teoria e investimento deve analisar todas as informações e dados acerca dela; e evitar um viés de confirmação onde priorizamos validar nossa opinião ao invés de investigarmos a verdade. Obrigado!


CENÁRIO ECONÔMICO E DE MERCADO


Para este mês pontuamos a elevada volatilidade na curva longa de juros, tanto com a abertura quanto com o fechamento frente as decisões monetárias recentes.



BRASIL


A prévia da inflação brasileira para outubro, o IPCA-15, foi de 0,21%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,96% e, em 12 meses, de 5,05%, acima dos 5,00% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.


O COPOM reduziu em 0,50% pela terceira reunião consecutiva a Taxa Selic, atingindo o patamar de 12,25%. A próxima reunião acontecerá nos dias 12 e 13 de dezembro de 2023. A sinalização é de manutenção do ritmo de corte para as próximas reuniões.



MUNDO


O FED (Federal Reserve) decidiu manter a taxa básica de juro estável entre 5,25% e 5,5%. A decisão aliviou a pressão nos treasuries e enfraqueceu o dólar frente ao real, revertendo a apreciação ocorrida no mês de outubro.


Com as tensões no Oriente Médio, destaque para o acentuado avanço no preço do petróleo que atingiu U$ 95,30, fechando outubro com valorização de 10,80%. O conflito entre Israel e Hamas completou um mês.







Agradecemos a leitura, o tempo e a confiança.



Pedro De Cesaro Rodrigo Villa Real

Founding Partner Economista-chefe






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